Luciana Branco
27.09.2023
Xingando internamente a professora de yoga e sua positividade tóxica
Acordei, meditei, me arrumei e fui pra yoga. Não tinha dormido muito bem, algo que tem sido raro – felizmente. Demorei para desligar, mesmo depois de meditar à noite. Senti uma presença estranha e, vai saber, devo ter sido influenciada por ela… ou por meus próprios fantasmas.
Mas fui lá, fui fazer o meu melhor. O mundo do yoga é legal porque tem de tudo. Tem as professoras ou professores namastê e tem também os namascrazy, aqueles que gosto mais, que dizem: “olha, a vida dói, se você não fizer seu melhor e ficar aí reclamando, não vai rolar”.
A de hoje era namastê: “Devemos ficar contentes com tudo…Por exemplo, vocês não estão contentes agora, depois de todo esse esforço?”. Silêncio absoluto na sala e, dentro de mim, um enorme NÃO.
Mas a verdade, é que observar o mood real do dia é fundamental para a gente experimentar a máxima “Tudo passa”, coisa que minha mãe tá sempre repetindo agora que voltou de Israel. Verdade, tudo passa. E a Natureza tá aí para confirmar isso.
É fundamental experimentar o sentimento sem disfarces para poder lidar com ele, conversar, saber do que se trata. Pode ser sim só a influência de uma energia externa, mas pode também ser um chamado para se encarar angústias. “Así é”, dizia minha primeira analista, repetindo os povos originários mexicanos.
Ufa, depois de organizar essas ideias, depois de dar risada com minha loucura, já até me sinto melhor?!
PS: Com certeza a professora escutou meus pensamentos! Na saída, ela me procurou para saber se eu estava bem, se ela havia sido invasiva quando me corrigiu em um movimento. Fofa! Até passou a raiva que eu tava sentindo dela. Ou seja, é sempre sobre o que sei de mim…
